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Jesus de Nazaré, em seu Sermão da Montanha, nos legou a misericórdia como chave da felicidade exclamando: “Bem aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”. (Mateus capítulo V, 7)
“Bem aventurados” e felizes são sinônimos e, seguir o Sermão da Montanha, é, portanto, segundo o nosso guia e modelo, a chave para alcançarmos a nossa tão sonhada felicidade aqui e agora, a forma mais simples de alcançarmos esse nível de consciência superior que ele denomina “reino-dos-céus”.
A humanidade em sua maioria está escravizada pelo julgamento, o que nos faz extremamente infelizes. Julgamos as falhas do outro, julgamos os nossos erros e, o que é pior, projetamos em Deus o nosso ego julgador, imaginando-o como um juiz severo que premia os justos e castiga e pune severamente o infrator.
O psicólogo austríaco Carl Gustav Jung, nos faz entender que, toda vez que não toleramos um defeito em alguém é porque temos esse mesmo defeito em nós. Se, por exemplo, não suportamos pessoas agressivas é porque, por mais dóceis que aparentamos ser, temos muita agressividade, para ser reconhecida e trabalhada.
As pessoas são, portanto, espelhos mágicos que Deus colocou em nossa casa, em nosso trabalho, no ônibus e na via pública, para que possamos entrar em contato com a nossa própria alma. É, a partir do relacionamento com o nosso semelhante, que de fato nos auto-conhecemos e nos libertamos. Todo e qualquer relacionamento que tenhamoscom um ser humano, desde amizade até um casamento se resume portanto, segundo este eminente psicólogo, num único relacionamento: o relacionamento que temos com nossa própria alma!
A misericórdia é, portanto, o oposto do julgamento.
Aqueles que tiverem misericórdia para com os outros alcançarão misericórdia porque a compaixão é uma via de mão dupla, como diz o Pai Nosso: quando aprendemos a perdoar os outros, fica mais fácil perdoarmos as nossas próprias falhas; quando sinceramente, nos aceitamos com toda nossa complexidade de sombras, e expressamos nossa luz, fica mais fácil aceitar e perdoar a sombra do outro.
Deus não julga! A lei de causa e efeito não é uma lei de punição, mas de auto-educação para que alcancemos um nível maior de consciência e felicidade. “Deus faz nascer o sol sobre justos e injustos e faz cair a chuva sobre justos e injustos”, nos assevera o Divino Mestre, lembrando que Deus nos ama a todos, independentemente de errarmos ou acertarmos. O erro, nos conduzirá, através da dor que ele gera, ao caminho do bem e da felicidade, a que todos estamos destinados pela lei do progresso.
Deus, portanto, não pune ninguém e não existe o chamado “carma negativo”. Toda dor e toda alegria, todo sofrimento e toda ventura, encerram uma grande lição de vida e nos conduzem para mais alto! Tudo que nos acontece de bom ou de ruim, edifica nossa felicidade futura!
Segundo Ermance Deufaux, em seu livro “Reforma Íntima sem Martírio”, a verdadeira reforma ínitma não é combatermos tenazmente os nossos defeitos e sim expressarmos a nossa luz interior.
Como nos esclarece São Francisco “não adianta esbravejarmos contra as trevas, basta acender uma luz!”. Acendamos, portanto, a luz do nosso coração, edificando a misericórdia e a compaixão em nosso dia-a-dia!
Fernando Antonio Neves